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Empresa Júnior ganha destaque na mídia
Hoje do outro lado do balcão, Coura valoriza candidatos que mostram iniciativa. “Trabalho com mais de 2 mil clientes, e sempre que visito empresas lembro das dificuldades burocráticas que enfrentei para abrir um novo negócio. Pena que isso não mudou”, lamenta.
Coura faz parte da geração que viu o nascimento de várias EJs, no começo dos anos 90. Na maioria dos casos, a inspiração veio de outras faculdades.
Herbert Gonçalves, da mesma idade do gerente da Braskem, é sócio de uma empresa de consultoria. Conheceu a EJ da FGV quando estudava Engenharia Eletrônica no ITA. “Gostei do entusiasmo das pessoas e pensei que era uma oportunidade de aproximar a escola das empresas”, conta. Primeiro presidente da ITA Jr., Gonçalves atraiu clientes como a empresa química Rhodia, então presidida por um ex-aluno da escola, Edson Vaz Musa.
“EJ é importante para quem quer carreira executiva”, afirma Gonçalves. “Te deixa em situações em que você só estaria cinco anos depois. Além disso, cada vez que muda o grupo de alunos, você tem a oportunidade de fazer algo diferente, mudar o que acha errado.” Quando foi abrir o próprio negócio, ele já tinha experiência com criar CNPJ, arranjar escritório e ir a uma junta comercial.
“Você cria tudo do zero: metas, responsabilidades, despesas”, afirma Renato Orozco, de 32, hoje aluno de MBA em Boston. Segundo presidente da Integri, do curso de Relações Internacionais da PUC-Minas, ele se orgulha de a EJ ter estimulado a faculdade a criar um centro de estágios, para aproximar os alunos do mercado. “Eu perguntava: todo mundo vai ser diplomata?”, brinca Orozco.
A Confederação Brasileira de Empresas Juniores divulgou em agosto seu último ranking das melhores EJs do Brasil (veja quadro). A PJ, fundada por Coura, ficou em segundo lugar.
Marta Kaiser, de 43, ficou eufórica ao saber que a Adecon, que ajudou a fundar em 1992, foi escolhida a melhor de todas. Marta fez carreira no marketing e hoje é gerente de projetos da ONG Rede Feminina de Combate ao Câncer, em Maringá (PR). “Era tudo na cara e na coragem”, lembra.
A experiência nas EJs ajuda mesmo quem mudou completamente de área, como o diretor de teatro Luiz Eduardo Frin, de 39, que começou a trabalhar na FEA Jr. “Eu era um menino de 18 anos do interior. Fez bem para minha autoestima.” Frin prestou consultoria a uma clínica com problemas no fluxo de caixa. “Você descobre que tem algo a oferecer.”


